Sei lá… Eu só quero ser feliz.

Eles se observavam ao longe. A beleza dela era tão doce e pura que ele se envergonhava ao olhar para ela. Ele era tão brilhante e misterioso. Sua visão trazia conforto e felicidade. Fazia se pensar nos sonhos e se aquecer o coração. Os dois funcionavam bem sozinhos. A solidão de uma noite ou de um dia. Todavia, o mundo necessitava dos dois. Era impossível que existisse apenas um. Um abria o show iluminando as tristezas, explodindo as trevas, destruindo medos. O outro o encerrava acalmando problemas, descansando mentes, iniciando a calmaria. 
         Sol e Lua. Distantes, fitaram-se. Distantes, encantaram-se. Distantes, apaixonaram-se. Paradoxal. Complexo demais esse amor. Eram como o alto e o baixo. O frio e o calor. A alegria e a tristeza. Os sorrisos e as lágrimas. O fogo e o gelo. A noite e o dia. Eles jamais poderiam se encontrar, porém, existiam outros meios para se presenciar um amor. Existia a bela e esplêndida forma de prová-lo. Ele estava ali, ele existia, precisava ser demonstrado. Então, o Sol e a Lua, conforme apareciam e desapareciam no imenso céu, pensavam e repensavam em maneiras de explicitar o mais lindo sentimento. 
         O Sol fazia crescer as lindas flores para a Lua. Coloria-as com as cores do infinito e inspirava a beleza delas em sua eterna amada. A Lua tocava o mar com sua perfeição sutil fazendo-o brilhar aquele brilho tênue, amável. O Sol inventava as manhãs, desenhava as linhas das nuvens, criava as esperanças de um novo dia jamais permitindo que a possibilidade de se encontrar com a Lua se esvaísse. A Lua despejava as mais elegantes estrelas no horizonte, fazia ventar as folhas jovens das árvores, acalmava os corações partidos. O tempo passava levando segundos, minutos, horas, mas nunca levando o amor do Sol e da Lua. E eles continuaram vivendo. Continuaram se presenteando. E sob o Universo, o amor mais puro foi provado. E eles continuaram se amando pelo resto de seus dias e noites.   
 
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Eles se observavam ao longe. A beleza dela era tão doce e pura que ele se envergonhava ao olhar para ela. Ele era tão brilhante e misterioso. Sua visão trazia conforto e felicidade. Fazia se pensar nos sonhos e se aquecer o coração. Os dois funcionavam bem sozinhos. A solidão de uma noite ou de um dia. Todavia, o mundo necessitava dos dois. Era impossível que existisse apenas um. Um abria o show iluminando as tristezas, explodindo as trevas, destruindo medos. O outro o encerrava acalmando problemas, descansando mentes, iniciando a calmaria.

         Sol e Lua. Distantes, fitaram-se. Distantes, encantaram-se. Distantes, apaixonaram-se. Paradoxal. Complexo demais esse amor. Eram como o alto e o baixo. O frio e o calor. A alegria e a tristeza. Os sorrisos e as lágrimas. O fogo e o gelo. A noite e o dia. Eles jamais poderiam se encontrar, porém, existiam outros meios para se presenciar um amor. Existia a bela e esplêndida forma de prová-lo. Ele estava ali, ele existia, precisava ser demonstrado. Então, o Sol e a Lua, conforme apareciam e desapareciam no imenso céu, pensavam e repensavam em maneiras de explicitar o mais lindo sentimento.

         O Sol fazia crescer as lindas flores para a Lua. Coloria-as com as cores do infinito e inspirava a beleza delas em sua eterna amada. A Lua tocava o mar com sua perfeição sutil fazendo-o brilhar aquele brilho tênue, amável. O Sol inventava as manhãs, desenhava as linhas das nuvens, criava as esperanças de um novo dia jamais permitindo que a possibilidade de se encontrar com a Lua se esvaísse. A Lua despejava as mais elegantes estrelas no horizonte, fazia ventar as folhas jovens das árvores, acalmava os corações partidos. O tempo passava levando segundos, minutos, horas, mas nunca levando o amor do Sol e da Lua. E eles continuaram vivendo. Continuaram se presenteando. E sob o Universo, o amor mais puro foi provado. E eles continuaram se amando pelo resto de seus dias e noites.   

 

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E em um dia você está numa boate com suas amigas esperando aquele show começar. São três da manhã e você quer ir embora. Ta tudo muito cheio. Ta muito calor. Tem gente demais. Aí você tenta ir para a pista de dança. Você quer se divertir. E a música se torna um barulho horrível e as luzes se tornam caóticas. Machucam os olhos. Aí você sai e tenta se lembrar por que está ali. “Vim ver o show”. Um show que não começa. Já são quase quatro da manhã e nada acontece. Só fica mais cheio a cada segundo. Mais calor a cada segundo. E você ta odiando aquilo, mas continua ali achando que o ambiente legal, as pessoas bonitas, a música é algo bom, divertido. E enquanto você está ali preso naquela ilusão ridícula, nem imagina o que pode acontecer. O cara fumando do seu lado pode derrubar o cigarro na bancada cheia de álcool. Pode ter uma briga. Uma confusão pode acontecer. Mas nada acontece, felizmente. O show começa e você nem consegue ver. A cantora não tem mais talento e as pessoas parecem idiotas ali cantando com ela. E na fila para pagar, ninguém tem respeito. É cada um por si. Empurrões, gritos e falta de educação. O segurança te empurra, te machuca tentando por ordem na situação. Você fica sem ar. Parece que vai desmaiar. Você respira fundo pra espantar o pânico. E depois de uma hora ou mais, você sai. Sai quase chorando porque você não precisa daquilo. Você não merece passar por nada daquilo. Então, você chega em casa, dá um beijo nos seus pais e vai dormir. No dia seguinte, ri na cozinha da situação terrível que passou na noite passada. Afinal, agora é tudo história. Uma boa história para se contar… E segue sua vida. Apesar de tudo, está pronta para próxima. Uma semana depois, você entra nas redes sociais e vê todos falando de um acidente horrível que aconteceu em Santa Maria. Todos os canais estão mobilizados e só se fala disso. 231 jovens morreram. Jovens como você que foram para uma festa tentar se divertir. Dançar. Jovens que tinham sonhos. Jovens que nunca imaginaram que uma noite que deveria ser incrível se tornou a última noite de suas vidas. Jovens que imaginaram que a pior situação que passariam seria uma fila gigante na hora de pagar. Alguns empurrões. Talvez um segurança os desrespeitando. Aí alguém vai vir dizer que isso não é nada. Que muitas pessoas morrem todos os dias de formas piores. E é verdade. Mas o que assusta é o quanto estamos próximos desses jovens. O quanto a realidade deles pode ser a nossa. Numa noite normal. E a TV está ligada no jornal nacional que termina sua edição em silêncio. Passa os nomes dos jovens que se foram. E são tantos nomes… São tantas esperanças desfeitas, sonhos destruídos. E talvez na semana que vem nem se esteja falando mais disso. Ninguém mais vai lembrar. Porque não foi com a gente. Porque não será com a gente. A gente acha que o horror nunca vai nos alcançar. Nada nos amedronta enquanto estamos em nossas casas. Saudáveis, confortáveis e vivos. Sentados em nossos sofás assistindo a um filme de terror. E na semana que vem, as boates estão lotadas de novo. Mas eu não consigo esquecer. Eu nunca vou esquecer. Essas vidas que se acabaram. Esses sonhos que se desfizeram. Os sorrisos que se desfaleceram. 


As ruas eram cinzas e o céu era da cor da calçada. As árvores perderam seu majestoso verde e as pessoas foram descoloridas por sua tristeza. As expressões eram caladas. O movimento era escuro. Os pássaros perderam sua leveza e seus vôos ficaram sem graça sem as cores do arco-íris para decorar o cenário. Diante de tantas linhas sem preenchimento. Diante de tantos traçados, pontos e ângulos sem cor. Eis que surge um homem. Curioso homem. Levava consigo uma câmera grande. Havia algo de diferente nele. Ele não era como as outras pessoas dali. Seu sorriso tinha um brilho e seus olhos eram verdes. A cor ressurgia nele, como um milagre. Uma esperança, finalmente.
Como quem não quer nada, ele levanta sua estranha máquina e aponta para uma pequena casa. Um flash explode numa luz forte e, em um piscar de olhos, as cores surgem. A parede era amarela e a porta era azul. O telhado era vermelho e as crianças que saiam lá de dentro eram lindas. Cada uma trazia um sorriso e uma expressão de felicidade que há muito não se via naquele vilarejo. E o homem não parou. A explosão de luz não parava em nenhum instante. Logo, as pessoas assumiram sentimentos, viveram emoções. Logo, tudo estava colorido. Logo, fez-se movimento. Crianças brincavam, adultos conversavam, idosos ensinavam, bebês nasciam. Logo, a vida voltou. 
Após ter feito seu esplendido trabalho, o homem se fora com sua câmera mágica. Caminhando contente, ele levava uma importante lição. O egoísmo, a ambição, a maldade, a falsidade, a mentira haviam deixado o mundo feio. Não havia nada de belo pelo qual se lutar. Mas o homem trouxera a arte para mostrar que ainda havia uma esperança para se alimentar. Ele dera uma nova vida aos momentos, às pessoas, aos objetos, à natureza. E assim o mundo se reerguia, mais belo, mais gentil, mais colorido.  
 
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As ruas eram cinzas e o céu era da cor da calçada. As árvores perderam seu majestoso verde e as pessoas foram descoloridas por sua tristeza. As expressões eram caladas. O movimento era escuro. Os pássaros perderam sua leveza e seus vôos ficaram sem graça sem as cores do arco-íris para decorar o cenário. Diante de tantas linhas sem preenchimento. Diante de tantos traçados, pontos e ângulos sem cor. Eis que surge um homem. Curioso homem. Levava consigo uma câmera grande. Havia algo de diferente nele. Ele não era como as outras pessoas dali. Seu sorriso tinha um brilho e seus olhos eram verdes. A cor ressurgia nele, como um milagre. Uma esperança, finalmente.

Como quem não quer nada, ele levanta sua estranha máquina e aponta para uma pequena casa. Um flash explode numa luz forte e, em um piscar de olhos, as cores surgem. A parede era amarela e a porta era azul. O telhado era vermelho e as crianças que saiam lá de dentro eram lindas. Cada uma trazia um sorriso e uma expressão de felicidade que há muito não se via naquele vilarejo. E o homem não parou. A explosão de luz não parava em nenhum instante. Logo, as pessoas assumiram sentimentos, viveram emoções. Logo, tudo estava colorido. Logo, fez-se movimento. Crianças brincavam, adultos conversavam, idosos ensinavam, bebês nasciam. Logo, a vida voltou.

Após ter feito seu esplendido trabalho, o homem se fora com sua câmera mágica. Caminhando contente, ele levava uma importante lição. O egoísmo, a ambição, a maldade, a falsidade, a mentira haviam deixado o mundo feio. Não havia nada de belo pelo qual se lutar. Mas o homem trouxera a arte para mostrar que ainda havia uma esperança para se alimentar. Ele dera uma nova vida aos momentos, às pessoas, aos objetos, à natureza. E assim o mundo se reerguia, mais belo, mais gentil, mais colorido.  

 

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“There’s a place downtown, where the freaks all come around. It’s a hole in the wall. It’s a dirty free for all. When the dark of the night comes around that’s the time that the animal comes alive looking for something wild”
 
         Eu corria desesperadamente pelas ruas absolutamente desertas. Há uns três dias eu não comia nada. Não sei se poderia agüentar muito mais. Todavia, eu não podia parar. Eles estavam atrás de mim. Eram mais rápidos, mais espertos, mais fortes e mais poderosos do que eu. Incrível eu não ter enlouquecido até ali. Muitos de meus amigos sucumbiram ao desejo insaciável de transformar tudo aquilo no mais cruel dos pesadelos. 
         Há exatas duas semanas, o mundo parecia estar em completa ordem. Tudo aparentava estar normal. Violência, poluição e barulho estavam ali. Entretanto, era algo que já havíamos nos acostumado. A violência de antes era mais segura. A violência em que eu vivia agora era torturante. Massacrante. Não era possível nem sequer desconfiar que seres das trevas, que viviam em silêncio nas noites, estariam planejando uma reviravolta na história, uma montanha-russa que levaria a raça humana à extinção. 
         Sedentos de sangue eles estavam. Contudo, não queriam sangue por fome, queriam por vingança. Vingança por protagonizarem nossas histórias de terror. Vingança por pertencerem à escuridão. Vingança por suas semividas amaldiçoadas. Eu sempre tivera a ingênua ilusão que esses monstros eram inventados. Meras criações da inteligente e criativa mente humana. Mas não eram. Eles eram reais e agora queriam seu lugar ao Sol. 
         Eu continuava correndo para não ser infectada por nenhum deles. Eu era a última humana do Planeta. Sentia-me imortal, imoral, irreal. Aquilo não duraria para sempre. Podia sentir passos rápidos atrás de mim agora e meu cérebro não conseguia obrigar minhas pernas a irem para frente. Desisti e, antes da temida escuridão, a última cena que vi era ele se aproximando de mim sedento de sede. Maldita criatura das trevas. Maldito vampiro.

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There’s a place downtown, where the freaks all come around. It’s a hole in the wall. It’s a dirty free for all. When the dark of the night comes around that’s the time that the animal comes alive looking for something wild”

 

         Eu corria desesperadamente pelas ruas absolutamente desertas. Há uns três dias eu não comia nada. Não sei se poderia agüentar muito mais. Todavia, eu não podia parar. Eles estavam atrás de mim. Eram mais rápidos, mais espertos, mais fortes e mais poderosos do que eu. Incrível eu não ter enlouquecido até ali. Muitos de meus amigos sucumbiram ao desejo insaciável de transformar tudo aquilo no mais cruel dos pesadelos.

         Há exatas duas semanas, o mundo parecia estar em completa ordem. Tudo aparentava estar normal. Violência, poluição e barulho estavam ali. Entretanto, era algo que já havíamos nos acostumado. A violência de antes era mais segura. A violência em que eu vivia agora era torturante. Massacrante. Não era possível nem sequer desconfiar que seres das trevas, que viviam em silêncio nas noites, estariam planejando uma reviravolta na história, uma montanha-russa que levaria a raça humana à extinção.

         Sedentos de sangue eles estavam. Contudo, não queriam sangue por fome, queriam por vingança. Vingança por protagonizarem nossas histórias de terror. Vingança por pertencerem à escuridão. Vingança por suas semividas amaldiçoadas. Eu sempre tivera a ingênua ilusão que esses monstros eram inventados. Meras criações da inteligente e criativa mente humana. Mas não eram. Eles eram reais e agora queriam seu lugar ao Sol.

         Eu continuava correndo para não ser infectada por nenhum deles. Eu era a última humana do Planeta. Sentia-me imortal, imoral, irreal. Aquilo não duraria para sempre. Podia sentir passos rápidos atrás de mim agora e meu cérebro não conseguia obrigar minhas pernas a irem para frente. Desisti e, antes da temida escuridão, a última cena que vi era ele se aproximando de mim sedento de sede. Maldita criatura das trevas. Maldito vampiro.

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Entre o céu e o inferno.
 
“Me proíbo de te esquecer, eu não posso jamais te perder. Sem você, eu não sei como vou suportar tanta dor. Eu preciso viver esse amor.”
 
Ele era cruel e impiedoso. Seu semblante era sombrio como as trevas e seus olhos eram negros como uma noite sem estrelas. Sua mente era perversa e venenosa. Seu sorriso era malicioso e sarcástico. Ele praticava o mal por prazer e gargalhava ao observar a morte. Entretanto, eu presenciara um milagre há alguns séculos atrás. Algo mudara nele. Algo que contrariava toda a sua personalidade facínora. O amor era o único sentimento bom presente em um corpo perdido em crimes. Há muitos anos nos encontramos. Eu o fiz amar e ele me fez pecar. Quem diria que seria por um demônio que eu iria me apaixonar?  
         Anjos como eu jamais poderiam viver o que vivi com ele. Contudo, a Terra é lugar de tentação, é lugar para a perdição. Esquecemo-nos quem somos e o que procuramos quando conhecemos esse sentimento tão doce e frágil como o amor. Ele se tornara minha vida, minha felicidade, minha paz. E hoje, depois de tanto tempo, nos reencontrávamos. Separamo-nos para evitarmos conflitos entre mundos tão distintos. Somente agora eu enxergava que ele era meu mundo. Ao vê-lo, meu bondoso coração dispara e posso sentir o pecado tomar conta de mim outra vez. Ao me ver, vejo um sorriso sincero em sua boca e observo a paz tomar conta dele. 
         - Meu anjo! – Ele sussurrou em meus ouvidos dando-me um abraço carinhoso. – Como senti sua falta! Eu te amo tanto e te amarei eternamente. 
         - Meu demônio! – Murmurei olhando em seus olhos negros. – Entre o céu e o inferno, tudo que quero é você. Eu te amo. – Disse selando com o mais terno beijo. 
         Naquele momento, estávamos em nosso mundo particular onde diferenças não existiam. Um lugar só nosso onde não existia o bem e o mal. Eu era sua salvação e ele era minha condenação. Eu era a melhor parte dele e ele era a melhor parte de mim. Todavia, não podíamos escapar de um sentimento. Eu enfrentaria Deus e o mundo por ele, assim como ele destruiria o inferno por mim. Nós moveríamos céus e terras para viver aquele amor.
 
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Entre o céu e o inferno.

 

“Me proíbo de te esquecer, eu não posso jamais te perder. Sem você, eu não sei como vou suportar tanta dor. Eu preciso viver esse amor.”

 

Ele era cruel e impiedoso. Seu semblante era sombrio como as trevas e seus olhos eram negros como uma noite sem estrelas. Sua mente era perversa e venenosa. Seu sorriso era malicioso e sarcástico. Ele praticava o mal por prazer e gargalhava ao observar a morte. Entretanto, eu presenciara um milagre há alguns séculos atrás. Algo mudara nele. Algo que contrariava toda a sua personalidade facínora. O amor era o único sentimento bom presente em um corpo perdido em crimes. Há muitos anos nos encontramos. Eu o fiz amar e ele me fez pecar. Quem diria que seria por um demônio que eu iria me apaixonar? 

         Anjos como eu jamais poderiam viver o que vivi com ele. Contudo, a Terra é lugar de tentação, é lugar para a perdição. Esquecemo-nos quem somos e o que procuramos quando conhecemos esse sentimento tão doce e frágil como o amor. Ele se tornara minha vida, minha felicidade, minha paz. E hoje, depois de tanto tempo, nos reencontrávamos. Separamo-nos para evitarmos conflitos entre mundos tão distintos. Somente agora eu enxergava que ele era meu mundo. Ao vê-lo, meu bondoso coração dispara e posso sentir o pecado tomar conta de mim outra vez. Ao me ver, vejo um sorriso sincero em sua boca e observo a paz tomar conta dele.

         - Meu anjo! – Ele sussurrou em meus ouvidos dando-me um abraço carinhoso. – Como senti sua falta! Eu te amo tanto e te amarei eternamente.

         - Meu demônio! – Murmurei olhando em seus olhos negros. – Entre o céu e o inferno, tudo que quero é você. Eu te amo. – Disse selando com o mais terno beijo.

         Naquele momento, estávamos em nosso mundo particular onde diferenças não existiam. Um lugar só nosso onde não existia o bem e o mal. Eu era sua salvação e ele era minha condenação. Eu era a melhor parte dele e ele era a melhor parte de mim. Todavia, não podíamos escapar de um sentimento. Eu enfrentaria Deus e o mundo por ele, assim como ele destruiria o inferno por mim. Nós moveríamos céus e terras para viver aquele amor.

 

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Seus belos cabelos ruivos, que caíam em pequenos e graciosos cachos até seu pequenino ombro, brilhavam na luz do Sol. Seus olhos, tão verdes quanto a grama fofinha em que brincava, observavam de maneira inteligente tudo a sua volta. Seus finos dedos rabiscavam algo em uma folha de papel. Um desenho meio abstrato, todavia, seu significado fazia todo sentido. Um sentido que nem todos pareciam compreender ou aceitar. 
            Alice, apesar de apresentar características do Autismo, sempre fora muito esperta. Agora, ela alternava sua atenção entre as coloridas e suculentas balas e seu desenho. Hoje, a menina completava seus seis anos, contudo, desde seus três anos, fazia aqueles desenhos. 
            Uma olhada rápida e desinteressada nos permitia enxergar apenas vários rabiscos coloridos sem que houvesse nenhuma interpretação. Entretanto, se olharmos atentamente, descobriremos que os desajeitados traços possuem um incrível significado. Assim que ela os termina, nada acontece. Mas conforme as horas passam, o inevitável se aproxima. Tudo que Alice desenha, acontece. 
            Contrariando o que muitos parecem pensar, a menina não tem poderes sobrenaturais para mudar o futuro. Ela apenas tem o dom de prevê-lo. Seu desenho, agora, tornava-se mais profundo. Cores escuras circulavam pequenos triângulos coloridos. A mãe da menina se aproxima a pegando no colo com carinho, mas seus olhos se arregalam ao perceber o desenho na grama. Ela o pega com cuidado e examina seus detalhes. Sua respiração para ao desvendar os traçados e ela cai desmaiada, assim como Alice havia previsto.
 
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Seus belos cabelos ruivos, que caíam em pequenos e graciosos cachos até seu pequenino ombro, brilhavam na luz do Sol. Seus olhos, tão verdes quanto a grama fofinha em que brincava, observavam de maneira inteligente tudo a sua volta. Seus finos dedos rabiscavam algo em uma folha de papel. Um desenho meio abstrato, todavia, seu significado fazia todo sentido. Um sentido que nem todos pareciam compreender ou aceitar.

            Alice, apesar de apresentar características do Autismo, sempre fora muito esperta. Agora, ela alternava sua atenção entre as coloridas e suculentas balas e seu desenho. Hoje, a menina completava seus seis anos, contudo, desde seus três anos, fazia aqueles desenhos.

            Uma olhada rápida e desinteressada nos permitia enxergar apenas vários rabiscos coloridos sem que houvesse nenhuma interpretação. Entretanto, se olharmos atentamente, descobriremos que os desajeitados traços possuem um incrível significado. Assim que ela os termina, nada acontece. Mas conforme as horas passam, o inevitável se aproxima. Tudo que Alice desenha, acontece.

            Contrariando o que muitos parecem pensar, a menina não tem poderes sobrenaturais para mudar o futuro. Ela apenas tem o dom de prevê-lo. Seu desenho, agora, tornava-se mais profundo. Cores escuras circulavam pequenos triângulos coloridos. A mãe da menina se aproxima a pegando no colo com carinho, mas seus olhos se arregalam ao perceber o desenho na grama. Ela o pega com cuidado e examina seus detalhes. Sua respiração para ao desvendar os traçados e ela cai desmaiada, assim como Alice havia previsto.

 

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“Eu to apaixonado, eu to contando tudo. E não to nem ligando pro que vão dizer. Amar não é pecado e se eu tiver errado, e que se dane o mundo, eu só quero você.”
 
         
         Atena contemplava, maravilhada, os tolos humanos com suas almas pecadoras e incrivelmente interessantes. Deusa da sabedoria, sempre apreciou observar as ações humanas. Era uma mulher belíssima e sua inteligência era esplêndida. Em sua mente, ela colecionava todos os saberes do Universo. Sábia, porém, sozinha. Atena aguardava alguém para destruir algo que sua sabedoria jamais conseguiria, a solidão. Ela procurou durante séculos e séculos por alguém que a fizesse inteira, completa. Entretanto, parecia não haver ninguém naquele enorme e majestoso mundo para ela. 
         Em seus andares pelos cantos mais escondidos, pelas ilhas mais encantadas, pelos céus mais estrelados e pelos oceanos mais profundos, ela, em um certo dia, finalmente, parecia ter encontrado um certo alguém. Seu nome era James. Humano. Seu caráter era corrompido e sua personalidade, egoísta. Seus sorrisos eram maliciosos. Suas ações o condenavam. Atena sabia da grave insensatez que estava prestes a cometer. Mas ela sabia que era ele. Era ele quem ela sempre procurou. Seu olhar a fazia tremer. Um simples toque e seu coração disparava. Quem poderia prever que seria por um tolo e fraco humano que a deusa iria se apaixonar? 
         Atena enfrentaria todos os deuses, todo o Universo para viver aquele amor. Amar não é pecado e se ela estivesse errada, não importaria o mundo, pois só queria ele. Almas gêmeas que, há muito, foram separadas, agora se reencontravam. Os dois estavam unidos para toda a eternidade. Para um homem cercado de vícios, somente o conhecimento poderia salvá-lo. A sabedoria eliminaria sua ignorância e os dois poderiam viver felizes e em paz. 
         - Finalmente, encontrei você. – A maravilhosa mulher sorria e seus olhos transbordavam de amor. 
         - Não sei como, mas parece que já encontrei você antes. – Sua expressão era de confusão, mas esta foi logo substituída por uma expressão eternamente apaixonada. – Estou apaixonado e não ligo para o que os outros vão dizer. Você é minha, para sempre. E eu sou seu, infinitamente.
 
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“Eu to apaixonado, eu to contando tudo. E não to nem ligando pro que vão dizer. Amar não é pecado e se eu tiver errado, e que se dane o mundo, eu só quero você.”

 

        

         Atena contemplava, maravilhada, os tolos humanos com suas almas pecadoras e incrivelmente interessantes. Deusa da sabedoria, sempre apreciou observar as ações humanas. Era uma mulher belíssima e sua inteligência era esplêndida. Em sua mente, ela colecionava todos os saberes do Universo. Sábia, porém, sozinha. Atena aguardava alguém para destruir algo que sua sabedoria jamais conseguiria, a solidão. Ela procurou durante séculos e séculos por alguém que a fizesse inteira, completa. Entretanto, parecia não haver ninguém naquele enorme e majestoso mundo para ela.

         Em seus andares pelos cantos mais escondidos, pelas ilhas mais encantadas, pelos céus mais estrelados e pelos oceanos mais profundos, ela, em um certo dia, finalmente, parecia ter encontrado um certo alguém. Seu nome era James. Humano. Seu caráter era corrompido e sua personalidade, egoísta. Seus sorrisos eram maliciosos. Suas ações o condenavam. Atena sabia da grave insensatez que estava prestes a cometer. Mas ela sabia que era ele. Era ele quem ela sempre procurou. Seu olhar a fazia tremer. Um simples toque e seu coração disparava. Quem poderia prever que seria por um tolo e fraco humano que a deusa iria se apaixonar?

         Atena enfrentaria todos os deuses, todo o Universo para viver aquele amor. Amar não é pecado e se ela estivesse errada, não importaria o mundo, pois só queria ele. Almas gêmeas que, há muito, foram separadas, agora se reencontravam. Os dois estavam unidos para toda a eternidade. Para um homem cercado de vícios, somente o conhecimento poderia salvá-lo. A sabedoria eliminaria sua ignorância e os dois poderiam viver felizes e em paz.

         - Finalmente, encontrei você. – A maravilhosa mulher sorria e seus olhos transbordavam de amor.

         - Não sei como, mas parece que já encontrei você antes. – Sua expressão era de confusão, mas esta foi logo substituída por uma expressão eternamente apaixonada. – Estou apaixonado e não ligo para o que os outros vão dizer. Você é minha, para sempre. E eu sou seu, infinitamente.

 

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Um menino. Parece estar olhando em nossa direção. Em nossos olhos. Seus cabelos eram encaracolados e pretos. Compridos. Caíam em seu rosto redondo e moreno. Seus olhos eram curiosos. Suas mãos eram pequenas. Abriam e fechavam, como se nos chamasse. Como se nos convidasse para observar sua vida. Ele começa a andar, mas parece não saber ao certo para onde ir. Está incerto, inseguro. Talvez lhe faltasse esperança. Mesmo assim, ele seguia por entre as ruas cinzas. Por entre os carros. O céu era nublado. A chuva estava por vir. O Sol resolvera ficar escondido, tímido por detrás das nuvens escuras. E ele continuava andando. Não desistindo. Lutando contra o abandono, contra a dor. Seu silêncio era um grito. De dificuldade. De sofrimento. Então, ele para. Olha-nos de novo. Sorri. Faltam-lhe alguns dentes. Alguns de leite já se foram. E apesar dos pesares, ele ainda sorria. Porque ele ainda estava ali. Respirando. Sobrevivendo bravamente. E começara a andar de novo. Batia, fraquinho, nas janelas blindadas. Seu semblante era assustado, triste. Pedia por uns trocados. Era aquela luta, todos os dias, para conseguir comer. Um pão velho. Qualquer coisa. Em busca de migalhas para matar a fome. Ele era tão pequeno… Suas costelas apareciam. E ele continuava a andar. E andar. E andar. Parava na frente de um trilho. Onde já não mais passava o trem. Mas talvez levasse a algum lugar. E ele andava. Andava. Até desaparecer ao longe. E tudo fica escuro. O silêncio é ensurdecedor. Uma imagem aparece. O menino já não é mais um menino. Cresceu. Sob os cuidados do Redentor. Vestia um terno preto com uma gravata bonita. E ia construindo seu próprio destino. Guerreiro. Venceu a fome, o abandono, a miséria. Ele abre os braços, sorrindo. E o céu já não está tão escuro. É azul como o mar. O Sol resolveu aparecer. Está forte. Fortificador. E o homem, não mais menino, está ali. No mesmo trilho que o vimos desaparecer. Braços abertos, como o pai crucificado. E, destruindo aquele silêncio terrível, ouve-se o vento. Um vento fraquinho. Mais uma brisa. Ela refrescava a alma. Trazia a fé. Levava embora o desespero. E então, ele sussurra: “Livrai-nos de todo o mal, Amém”.
 
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Um menino. Parece estar olhando em nossa direção. Em nossos olhos. Seus cabelos eram encaracolados e pretos. Compridos. Caíam em seu rosto redondo e moreno. Seus olhos eram curiosos. Suas mãos eram pequenas. Abriam e fechavam, como se nos chamasse. Como se nos convidasse para observar sua vida. Ele começa a andar, mas parece não saber ao certo para onde ir. Está incerto, inseguro. Talvez lhe faltasse esperança. Mesmo assim, ele seguia por entre as ruas cinzas. Por entre os carros. O céu era nublado. A chuva estava por vir. O Sol resolvera ficar escondido, tímido por detrás das nuvens escuras. E ele continuava andando. Não desistindo. Lutando contra o abandono, contra a dor. Seu silêncio era um grito. De dificuldade. De sofrimento. Então, ele para. Olha-nos de novo. Sorri. Faltam-lhe alguns dentes. Alguns de leite já se foram. E apesar dos pesares, ele ainda sorria. Porque ele ainda estava ali. Respirando. Sobrevivendo bravamente. E começara a andar de novo. Batia, fraquinho, nas janelas blindadas. Seu semblante era assustado, triste. Pedia por uns trocados. Era aquela luta, todos os dias, para conseguir comer. Um pão velho. Qualquer coisa. Em busca de migalhas para matar a fome. Ele era tão pequeno… Suas costelas apareciam. E ele continuava a andar. E andar. E andar. Parava na frente de um trilho. Onde já não mais passava o trem. Mas talvez levasse a algum lugar. E ele andava. Andava. Até desaparecer ao longe. E tudo fica escuro. O silêncio é ensurdecedor. Uma imagem aparece. O menino já não é mais um menino. Cresceu. Sob os cuidados do Redentor. Vestia um terno preto com uma gravata bonita. E ia construindo seu próprio destino. Guerreiro. Venceu a fome, o abandono, a miséria. Ele abre os braços, sorrindo. E o céu já não está tão escuro. É azul como o mar. O Sol resolveu aparecer. Está forte. Fortificador. E o homem, não mais menino, está ali. No mesmo trilho que o vimos desaparecer. Braços abertos, como o pai crucificado. E, destruindo aquele silêncio terrível, ouve-se o vento. Um vento fraquinho. Mais uma brisa. Ela refrescava a alma. Trazia a fé. Levava embora o desespero. E então, ele sussurra: “Livrai-nos de todo o mal, Amém”.

 

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"A cura pela sinfonia de Beethoven"

seewhatweseas:

Segundo Márcia Alves Marques Capella, o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCF) da UFRJ fizeram um experimento com uma cultura de células tumorais. Deixaram as células expostas durante meia hora à 5ª Sinfonia de Beethoven e, após 48 horas horas, observou-se que uma em cada cinco células havia morrido. De acordo com pesquisas, isso ocorreu devido à ondas mecânicas. 

Será que, realmente, a música poderá salvar vidas? Ela já salvou a minha. 


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